descrita

Pode o diabo ser feliz?


este blogue...

... anda arrastado, lento e quase parado. O seu dono anda agitado, frenético e sem tempo para parar. A revolta fica para breve, ainda com uns fins do mês para completar.

(obrigado pelos mails)

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iteração cósmica

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a turquia no princípio

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A memória não é o que recordamos, mas sim o que nos recorda. A memória é um presente que nunca acaba de passar. Espreita, colhe-nos de improviso entre as suas mãos de fumo que não soltam, desliza o nosso sangue: o que fomos instala-se em nós e lança-nos fora. Há mil anos, uma tarde, ao sair da escola, cuspi sobre a minha alma; e agora a minha alma é o lugar infame, a rua, os freixos, o muro velho, a tarde interminável em que cuspo sobre a minha alma. Vive-nos um presente inextinguível e irreparável. Esse menino apedrejado, esse sexo feminino como uma greta que fascina, esse adolescente que comanda um exército de pássaros ao assalto do sol, essa grua esbelta de fina cabeça de dinossauro inclinando-se para devorar um transeunte, a certas horas expulsam-me de mim. Esta noite não.

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mike plowden ||| 1959-2008



Vês?? É assim. Liberta o pulso no final do lançamento. - sorria para a bola e para mim.
Hoje sou eu que sorrio para ele de saudades.

thanks mike... you'll always be my hero

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Carlinhos Brown - Amantes Cinzas

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o fim de janeiro (decidido)

Desapartam os mantos, estendem as cascatas, desvelam as suas profundidades, transparência torneada a fogo, os azuis. Plumas coléricas ou galhos de alegria, deslumbramentos, decisões imprevistas, sempre certeiras e cortantes, os verdes acumulam humores, mastigam bem o grito antes de o gritar, frio e cintilante, na sua própria espessura. Inumeráveis, graduais, implacáveis, os cinzentos abrem caminho à custa de golpes nítidos, de clarins impávidos. Confinam com o rosa, com o fogo. Sobre os ombros descansa a geometria do incêndio. Indemnes ao fogo, indemnes à selva, são espinhas dorsais, são colunas, são mercúrio.

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felizes os maculados

O Pacheco tinha mácula, e isso tornava-o imaculado

Ai daquelas que morram (s)em pecado mortal! Bem-aventurados aqueles que cumpriram t(s)ua santíssima vontade, porque a segunda morte não lhes fará mal.
(Cântico das Criaturas segundo a tradição franciscana - adulterado por mim)

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Repete-se, passados três anos, a minha escolha dos cinco discos que mais gostei de ouvir no ano transacto. Interrogo-me porque não o fiz nos anteriores. Interrogo-me, só isso.
Sem qualquer ordem associada são estes os cinco discos com que passei momentos mais prazenteiros:

- Arcade Fire - Neon Bible;
- Of Montreal - Hising Fauna, Are You the Destroyer?;
- Georgia Anne Muldrow & Dudley Perkins - Message Uni Versa;
- Patrick Cleandenim - Baby Comes Home; e
- Erik Truffaz - Arkhangelsk.

Diz o meu perfil no last.fm que Neon Bible foi o álbum que mais rodou por estes lados no ano de 2007, mais precisamente 68 vezes. Foi como previa, explodiu com o que havia na minha playlist.


Arcade Fire - Ocean of Noise

Hising Fauna, Are You the Destroyer? é o albúm mais consistente dos Of Montreal, uma espécie de grand finale de anteriores esforços. Kevin Barnes, líder do conjunto, antevê uma declinação para o funk em próximos trabalhos; parece-me muito bem.


Of Montreal - Heimdalsgate like a Promethean Curse

Por falar em funk, Georgia Anne Muldrow e Dudley Perkins, juntaram-se em G&D para idealizar o albúm mais cool do ano. É difícil de caracterizar este Message Uni Versa, talvez assim: spaced-out-neo-soul-quirky-r&b-utopia-funk. Georgia A. Muldrow equilibra o disco pela voz, e Dudley Perkins, acólito de Madlib, descarrega energia cósmica em todas as faixas, muito ao estilo de Geroge Clinton e Lee "Scratch" Perry; “I was sent by the divine forces of the universe to bring a message of funk and light to the good people of planet Earth!" Ámen.


Georgia Anne Muldrow & Dudley Perkins - Time

Um tipo de 21 anos de nome (artístico) Patrick Cleandenim fez esta pequena jóia de precisão musical num estilo indie-noir meets 60's pop-orchestra. Falta-lhe um pouco de densidade lírica, mas promete muito para o futuro.


Patrick Cleandenim - Birds of Fashion

Qualquer lista que eu faça tem que incluir sempre Erik Truffaz.


Erik Truffaz - Red Cloud


(Menção honrosa para os The Sounds)

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o fim de dezembro (inaudito)

Ao vê-lo, ali em cima, o meu orgulho incendeia feixes de palavras, fragmentos de realidades, realidades em fragmentos. Folhagem, labareda resolvida em fumo! E sobre o meu fracasso precipitam-se gatos insidiosos, os razoamentos da meia-noite, os sorrisinhos em fila indiana, a matilha das risotas. Os refrões fazem-me olhinhos, excomunga-me a prudência, os preceitos caem-me da manga. Endireito o chapéu, levanto a gola do capote e ponho-me a andar. Mas não avanço. E, enquanto marco passo ele arde ali, sobre a rocha, inaudito.

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london memoirs iii


Roy Lichtenstein - Whaam!, 1963

O humor da pop art carece de agressividade, a as suas profanações não são inspiradas pela negação ou pelo sacrilégio, mas sim no "why not?" característico da fleuma anglo-saxónica. Também não se trata de uma revolta metafísica; no fundo é passivo e conformista. Não é busca da inocência ou da "vida anterior", como o movimento beat, embora como eles, e com maior frequência, caia no sentimental. Os súbitos acessos de brutalidade são, precisamente, uma forma de contrariar esse sentimentalismo. É uma típica reacção nacional: os anglo-americanos passam de um a outro extremo com a mesma facilidade que os portugueses saltam da euforia à depressão. O grande mestre dos pintores pop é Schwitters que chamava à sua arte despojos e resíduos Merz, alusão a Kommerz (comércio), Ausmerzen (resíduos), Herz, (coração) e Schmerz (pena). Um "dolorismo" salvo pelo humor e pela fantasia, mas não isento de self-pity.
Duchamps e Picabia, como todos os dadaístas e depois os surrealistas, viveram em perpétuo combate contra as massas e contra a minoria; a pop art, em troca, é um populismo de gente acomodada

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the french conection

Au Revoir Simone - not french enough

Nouvelle Vague - über french

Andreas Scholl - totally frenchless

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gabando bach


jmnk @ watamu with kwesha, the star



Sankanda (trad. Gabão - arnj. P. Akendengué)
Lasset Uns Den Nicht Zerteilen (J. S. Bach, Paixão de S. João, BWV 245 N.27B - arnj. H. Courson)

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per il concerti grossi




Arcangelo Corelli (1653-1713)
Concerti Grossi Op.6
Concerto da chiesa nº2 in Fa maggiore
Vivace-Allegro-Adagio-Vivace-Allegro-Adagio-Largo andante

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explicar com bonecos



Clarificador e corajoso. Abraço ao Tiago

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o fim de novembro (de pé)

Amor e sonho: de graça. Grande abraço mortal aos adversários que se amam: cada ferida é uma fonte. Os amigos afiam bem as suas armas, prontos para o diálogo final, o diálogo até à morte para toda a vida. O homem é o alimento do homem. O saber não é diferente do sonhar, o sonhar do fazer. De pronto, agarra a exactidão, teoriza, sê pontual. Paga o teu preço e cobra o teu preço. Nos momentos livres sente até rebentar: há prédios de jornais. Ou perde-te todas as noites sobre a mesa dos livros, com a língua inchada de liberdade. Cala-te ou gesticula: é tudo igual. Algures já está preparada a tua condenação. Não há saída que não te dê para a honra ou para o púlpito: tens os sonhos claros, faz-te uma filosofia forte.

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truffazed

Estranho (ou talvez não devesse) a longa demora no mercado português do novo álbum de Erik Truffaz - Arkhangelsk. Editado em Maio deste ano continua a não figurar em sítio nenhum, mesmo depois de um concerto fugaz há uns meses atrás em Lisboa. Mas vamos ao que interessa. Truffaz move-se habilmente entre o post-fusion de Miles Davies e Chet Baker. Neste último trabalho ele desloca a equação ao romantismo de Baker, numa espécie de pastaccios incoerentes (a ligação ao trabalho do "anarquitecto" Richard Greaves é ilustrativa) resolvidos pela atracção lunar do trompete. O groove e os lampejos rock dos últimos discos são afinados ao tom mais embalado e discreto deste Arhangeslk. Mas não se imagine um Erik Truffaz encolhido. Não, quem lhe aprecia o estilo não fica desiludido. O quarteto mantêm-se, a colaboração com Nya também, mas neste CD ressalta a aparição improvável de Ed Harcourt. O singer-songwriter Inglês assina alguns dos temas e Erik Truffaz envolve-o de forma magistral.



Erik Truffaz - Snake Charmer Man feat. Ed Harcourt
(fluindo no podcast, obviamente)

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hilltop hotel

“... e não me apetece sair do quarto. Limito-me à rotina de descer ao Tanganica para saber onde estou e utilizar a única camisa que trouxe na formalidade dos jantares de hotel. Estranham-me os empregados do Hotel e os poucos hóspedes que aqui estão, não era suposto eu estar aqui. Eu sei. Preciso deste espaço de ironia e normalidade antes de seguir viagem. Amanhã irei de novo até ao lago conversar um pouco mais com o guarda e meter-me com as crianças que brincam enquanto as mães lavam a roupa. À noite visto a camisa para um jantar com a Roberta. Ela voltará para Kasulo e eu voltarei daqui."
[descrito em viagem 22/09/2006]

Não são oásis os hotéis em África, engana-se Kapuściński. São construções de ironia e funcionamento. Ironia óbvia ao dobrar a esquina, e funcionamento esperançoso. Há uma África que funciona longe dos peditórios globais (ou mundiais, à francesa) e longe das mãos dos governos. Evito ficar em hotéis quando me perco em África - puro snobismo; mas quando por qualquer razão os encontro nunca me arrependo.
(
teaser - via Slate Magazine)

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uuui, é mel


(exemplifica-se em breve)

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lasciami ingrata




Georg Friedrich Händel (1685 - 1759)
Amarilli vezzosa (il duello amoroso) HWV 82
Recitativo: Or Su, Giacché Ostinato (Amarilli & Daliso)
Aria a due con Ritornello: Sì, Sì, Lasciami, Ingrata (...)
Amarilli: Hélène Guilmette (Soprano)
Dalsio: Andreas Scholl (Controtenore)
Accademia Bizantina dir. Ottavio Dantone

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london memoirs ii


Eberhard Havekost - Click and Fly, 2000

A arte e a poesia do nosso tempo nascem no momento em que o artista insere subjectividade na ordem da objectividade. Esta operação sensibiliza a natureza e a obra, mas, ao mesmo tempo, relativiza-as. Há cerca de dois séculos que a ironia romântica tem sido o alimento-veneno da arte e da literatura no Ocidente. Alimento porque é a levedura da "beleza moderna", segundo a definiu Baudelaire: o bizarro e o único. Ou seja: objectividade rasgada pela subjectividade irónica, que é sempre consciência da contingência humana; consciência da morte. Veneno porque a "beleza moderna", ao contrário da antiga, está condenada a destruir-se a si mesma; para ser, para afirmar a sua modernidade, necessita de negar o que ainda ontem era moderno. Necessita negar-se a si mesma. A "beleza moderna" é bizarra porque é diferente da de ontem e por isso mesmo é histórica. É mudança, é caduca: historicidade e mortalidade.

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coisa de finados


Patrick Cleandenim - So you think you're gonna live forever

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o fim de outubro (gradiente)

O jorro de água. A golfada de saúde. Uma rapariga reclinada sobre o seu passado. O vinho, o fogo, a guitarra, a sobremesa. Um muro de veludo vermelho numa praça de aldeia. A verdade do Verão que ficou, a certeza reluzente entrando na cidade, o deserto mais perto. A irrupção do cinzento, do amarelo, do chamejante. O demasiado fácil, o que se escreve só: a poesia.

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(click para continuar)

Do muito recomendado "ACTION PHILOSOPHERS!"

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no princípio era o enlevo

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arrumar a casa

Faltava-me arrumar o fim de agosto atrás d'o fim de setembro. Relembro ainda que mora aqui ao lado a rádio que se alimenta do meu iPod, iTunes e afins.
A pedido de inúmeras famílias (ok, bastaram dois mails para me convencer) volto em breve à série sophia per la musica ou como-converter-aferros-desviantes-em-posts-pretensiosos.

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taxonomia insuspeita

300 anos depois de Lineu, desenvolvi o meu sistema taxonómico para classificar posts. E tal com o beato sueco - o primeiro junkie em information aesthetics - também não admito excepções.
Bless you...

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london memoirs


Chéri Chérin - La bombe anatomique, 2005

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Palavras, ganâncias de um quarto de hora arrancado à árvore calcinada da linguagem, entre os bons dias e as boas noites, portas de entrada e de saída e de entrada de um corredor que vai de nenhuma parte a nenhum lado.

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ecos da carne

A condenação do amor carnal como um pecado contra o espírito não é cristã mas platónica. Para Platão a forma é a ideia, a essência. O corpo é uma presença no sentido real da palavra: a manifestação sensível da essência. É o traslado, a cópia de sentido de um arquétipo divino: a ideia eterna. Por isso no Fedro e em O Banquete, de Platão, o amor mais alto é a contemplação do corpo belo: contemplação num êxtase da forma que é essência. O abraço carnal contém uma degradação da forma em sustância e da ideia em sensação. Por isto também Eros é visível; não é uma presença: é a escuridão palpitante que rodeia Psique e a arrasta numa queda sem fim. O enamorado vê a presença banhada pela luz da ideia; quer agarrá-la mas cai nas trevas de um corpo que se dispersa em fragmentos. A presença renega a sua forma, regressa à substância original para, afinal, se anular. Anulação da presença, dissolução da forma: pecado contra a essência. Todo o pecado atrai um castigo: regressados do arrebatamento, encontramo-nos de novo perante um corpo e uma alma outra vez estranhos. Então surge a pergunta ritual: em que pensas? E a resposta: em nada. Palavras que se repetem em intermináveis galerias de ecos.

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a bola não é redonda


Como o planeta não é só oval, redondo ou encestável, e nem todos os atletas são olímpicos (seria uma chatice), fica aqui a referência à Isabel (aka bolinha) que irá participar no Campeonato Mundial de Escalada na categoria de Dificuldade (presumo que seja difícil). Para ela e para os restantes atletas fica aqui o meu abraço (sem técnica assinalável) de boa sorte.

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a lista dos que não ficam

A menina Isabela estendeu-me o desafio (iniciado por Manuel A. Domingos) de listar 10 livros que não mudaram a minha vida. A lista é longa e esquiva, a memória prefere guardar os livros de que mais gostei. Mas vou tentar agrupar 10:

- A Sibila, Agustina Bessa Luís
- Austerlitz, Sebald
- Clarissa, Erico Veríssimo,
- Jane Eyre, Charlotte Brontë
- Bichos, Miguel Torga
- O Perfume, Patrick Süskind
- A Peste, Camus
- Visões do Futuro, Arthur C. Clark
- Ecstasy, Irvine Welsh
- Papillon, Henri Charriere

Como mandam as regras lanço daqui o repto, ao kyler, ao Bernardo, ao João Galamba, à Alaíde à Ana e ao Henrique Silveira

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realidade bizarra

O Weekly World News fechou. (ao que parece sem que nenhum alien tenha sido constítuido arguido). O motivo terá sido motivado pelo reposicionamento do mercado de retalho, e não por qualquer falta de contéudos, pois imaginação e notícias bizarras não faltam.

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revolto assumindo o gosto por usar meias brancas.

ps: ainda uns fins do mês por preencher
ps2: assinalando o regresso do bernardo
ps3: o meu leitor de feeds apresenta o extraordinário número de 1823 posts não lidos; vai demorar o seu tempo

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o fim de agosto (arriscado)

Temperada noite que avanças pela sala, entre desfiladeiros e picos onde os astros afiam a sua navalha, acompanhada por um murmúrio grave de cauda aveludada. O teu império enlutado torna ilusórios os precários limites entre o ferro e o girassol, a pedra e a ave, o fogo e o líquen. Desvio-me da noite para te encarar. A luz de colo de vidro parte-se em dois. Já estás entre as transparências e o teu penacho branco contém-me em mil sítios, cisne afogado na sua própria brancura. Pousas no cimo e cravas a tua centelha. Depois, inclinando-te, beijas os lábios congelados da cratera. É a hora de estalar numa explosão que não deixará mais sinal que uma cicatriz no céu. Cruzamos o corredor testemunhado e desaparecemos entre um cortejo de água.

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o fim de julho (deste lado)

Na balança deste agora peso palavras preciosas, palavras de amor. Uma só frase a mais bastaria para me afundar daquele lado do tempo

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o fim de junho (em ferida)

Avanço, perfuro grandes rochas de anos, grandes massas de luz compacta, descendo galerias de minas de areia, atravesso corredores que se fecham como dois lábios de granito. E volto à planície, à planície onde é sempre meio-dia, onde um sol idêntico cai fixamente sobre uma paisagem presa. E, não acabam de cair as doze badaladas, nem de zumbir as moscas, nem de estalar em estilhaços este minuto que não passa, que só arde e não passa. Não, acaba de fechar-se esta ferida.

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love is a cause for pause

(in slow blogging mode)

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Kapuscinski’s final book, “Travels With Herodotus,” is about the Father of History, a man so bound by his fifth-century-B.C. perception and experience as to appear by modern standards almost intellectually comatose. “He had never heard of China,” Kapuscinski writes, “or Japan, he did not know of Australia or Oceania, had no inkling of the existence, much less the great flowering, of the Americas. If truth be told, he knew little of note about western and northern Europe.” He also believed that Ethiopian men ejaculated black semen. Yet, to Kapuscinski, Herodotus was “the first globalist” and “the first to argue that each culture requires acceptance and understanding.”

ler a excelente crítica de Tom Bissell ao último livro de Ryszard Kapuscinski

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coisas de família


foto vencedora do concurso de fotografia da edp; por
Filipa Freire de Andrade Gonçalves
, my baby sister

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it was a pause for cause



Roots Manuva - pause 4 cause

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o fim de maio (em queda)

Cada noite é uma pálpebra que as espinhas não cessam de atravessar. E o dia não acaba nunca, não cessa nunca de contar-se a si mesmo, gasta-se em moedas de cobre. Estou cansado de tantas contas que se dissipam em poeira, cansado desta multidão solitária. Afasto-me pela matemática do sentir. Quando acabarão de devorar-me estas imagens? Quando acabarei de cair nos teus olhos desertos?

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faço cerimónia




Jean-Baptiste Lully (1632 - 1687)
Le Bourgeois Gentilhomme
Marche pour la Cerérémonie turque
Le Concert des Nations direc. Jordi Savall

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AIism

No século XVI os europeus decidiram que os índios americanos não eram totalmente racionais. O mesmo se disse em outras ocasiões acerca dos pretos, dos chineses, dos indianos e de outros. Desumanização pela indiferença: se eles não são como nós, eles não são inteiramente humanos. No século XIX, Hegel e Marx estudaram outra variedade, baseada não na diferença mas na alienação. Para Hegel a alienação é tão antiga como a espécie humana: começou na alvorada da história com a submissão do escravo à vontade do senhor. Marx descobriu uma outra variante, a do trabalhador assalariado: a inserção de um homem concreto é uma categoria abstracta que o despoja da sua individualidade. Em ambos os casos rouba-se a pessoa humana de uma parte do seu ser, reduz-se o homem ao estado de coisa e de instrumento. Coube aos nazis e comunistas levar à sua conclusão final estas mutilações psíquicas. Os dois totalitarismos propuseram a si próprios a abolição da singularidade e diversidade das pessoas: os nazis, em nome de um absoluto biológico, a raça; os comunistas, em nome de um absoluto histórico, a classe, representada por uma ortodoxia ideológica encarnada num Comité Central. Agora, em nome da ciência, pretende-se não o extermínio deste ou daquele grupo de indivíduos mas a fabricação em massa de andróides. Entre os romances de previsão do futuro, a visão mais actual já não é a de Orwell, mas a exposta no A brave new world de Aldous Huxley.
A pessoa humana sobreviveu a dois totalitarismos: sobreviverá à tecnificação do mundo?

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Obviamente Freud nunca foi um bom jogador de xadrez. A knight is not just a knight, but also an intention of possibilities.

Para o dapster, assim como que a dizer: "onde se lê 'knight' leia-se 'queen'" ;)

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Mais do que necessidade física ou psicológica, sinto ainda uma dependência estética do acto de fumar. Aprendi a reconhecer o silêncio na noite quando apenas ouvia o papel do cigarro a queimar lentamente; esse instante era belo. O fumo denso arrastava o tempo com mais vagar tornando o espaço quase compreensível; naquele momento sabia onde estava. Eram ocasiões raras, a droga permitia esse efeito secundário benévolo. Tudo o resto era prazer fácil e instantâneo, simples deleite químico.
Há 6 anos deixei de fumar, voltando a incorrer nos prazeres do fumo em certas ocasiões mais ou menos prolongadas. A fada plúmbea não se esquece, demora-se na memória.
(repost 19/10/2005)

Ultimamente assumi o meu namoro com a fada, mas por pouco tempo, espero.

Ler e apreciar.

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perfidissimo cor




Antonio Vivaldi (1678 - 1741)
Nel torbido mio petto
Aria - Perfidissimo Cor! Iniquo Fato! RV674
Controtenore - Philippe Jaroussky
Essemble Artaserse

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O silêncio e a solidão estendem as suas planícies. Um mundo por povoar e esta folha em branco! Peregrinações, sacrifícios, combates corpo a corpo com a minha alma, diálogos com as nuvens e com a cal: quantas brancuras esperam erguer-se, quantos nomes adormecidos, prontos a ser asas de poema! Pedras reluzentes, espelhos polidos pela espera, trampolins de vertigem, vigias do êxtase, pontes suspensas sobre o vazio que se abre entre duas exclamações. Árvores momentâneas que celebram uma fracção de segundo a descida do Guadiana. A erva desperta, põe-se a andar e cobre de vivo as terras áridas; o musgo sobe até às margens; abrem-se as nuvens. Tudo canta, tudo dá frutos, tudo se dispõe a ser. Mas eu defendo-me.

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hooked

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laser safety

A minha regra é a de usar dupla precaução a interpretar os movimentos filosóficos, científicos ou meramente de opinião cuja liderança seja feita predominantemente por intelectuais judeus.
As minhas regras ao ler coisas destas são, usar tripla precaução, questionar-me como se avalia o grau de pureza de um intlectual e rir-me desalmadamente.

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jmnk @ harare, ZW

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Mas